Entenda se brasileiro residente no exterior pode abrir empresa no Brasil
Morar fora do Brasil não significa abrir mão de empreender no país, abrir uma empresa no Brasil morando no exterior é uma realidade perfeitamente...
Entre janeiro e setembro de 2024, as startups brasileiras captaram US$1,46 bilhão em 313 negócios fechados — um crescimento de 9,5% em relação ao mesmo período de 2023, segundo dados da plataforma Distrito.
Para quem está à frente de uma startup, entender como esse dinheiro circula é tão importante quanto ter um bom produto. As rodadas de investimento são o principal mecanismo pelo qual empresas nascentes acessam o capital necessário para crescer — e cada etapa dessa jornada tem características, atores e exigências bastante diferentes.
Este artigo reúne informações essenciais sobre o que são as rodadas de investimento, como elas funcionam na prática, quais são os tipos existentes e onde é possível encontrar investidores no Brasil.
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Uma rodada de investimento é o processo pelo qual uma startup busca capital externo para financiar seu crescimento, em troca de uma participação na empresa — chamada de equity. Diferente de um empréstimo bancário, nesse modelo o investidor não recebe de volta um valor fixo com juros: ele passa a ser sócio do negócio, com direito a uma parcela dos lucros futuros proporcional à sua participação.
Cada rodada reflete um estágio de maturidade diferente da empresa. Startups em fase inicial precisam de capital para validar sua ideia. Empresas mais avançadas buscam recursos para escalar operações, entrar em novos mercados ou adquirir concorrentes. É por isso que as rodadas têm nomes, tamanhos e perfis de investidores distintos ao longo do tempo.
O processo de uma rodada de investimento raramente acontece de forma rápida. Em geral, envolve meses de preparação, conversas e negociações. As etapas mais comuns são:
Todo esse ciclo pode durar de dois a seis meses, dependendo do tamanho da rodada e do perfil dos investidores envolvidos.
As rodadas são classificadas de acordo com o estágio de desenvolvimento da startup. A tabela abaixo apresenta uma visão geral dos principais tipos praticados no Brasil:
| Rodada | Estágio da Startup | Quem Costuma Investir | Ticket Médio (BR) |
|---|---|---|---|
| Bootstrapping / FFF | Ideia / pré-produto | Fundadores, família e amigos | Variável |
| Investimento-Anjo | MVP ou primeiros clientes | Pessoas físicas (anjos) | R$ 50k – R$ 500k |
| Pré-Seed | Problem-solution fit | Grupos de anjos, pré-seed funds | R$ 100k – R$ 1M |
| Seed | Product-market fit | Anjos, fundos early-stage | R$ 3M – R$ 10M |
| Série A | Escala inicial | Fundos de Venture Capital | R$ 10M – R$ 30M |
| Série B | Expansão de mercado | Fundos de VC e growth | R$ 30M – R$ 100M+ |
| Série C e além | Internacionalização / M&A | VC, growth, private equity | R$ 100M+ |
Dados de ticket médio baseados em informações da Bossa Invest e do Distrito Dataminer.
Muitas startups dão seus primeiros passos sem nenhum investidor externo. O bootstrapping é o modelo em que os próprios fundadores financiam a operação com recursos pessoais ou reinvestindo a receita gerada pelo negócio. Já o FFF (Family, Friends & Fools) envolve aportes informais de pessoas próximas que acreditam na ideia — sem necessariamente ter expertise no setor.
Essas duas formas de captação são comuns nas fases mais iniciais, quando a startup ainda está estruturando sua proposta de valor e não tem dados suficientes para convencer investidores profissionais. Elas permitem que os fundadores mantenham controle total da empresa enquanto desenvolvem o produto.
O investidor-anjo é, em geral, uma pessoa física com capital disponível e experiência de mercado que investe em startups iniciais em troca de participação societária. Além do dinheiro, anjos costumam oferecer mentoria, rede de contatos e conhecimento setorial — fatores que podem ser tão valiosos quanto o aporte financeiro em si.
O Pré-Seed segue uma lógica parecida, mas os aportes costumam vir de grupos de anjos organizados como pessoa jurídica ou de fundos especializados nesse estágio. De acordo com dados da Bossa Invest, rodadas Pré-Seed no Brasil têm ticket médio entre R$100 mil e R$1 milhão, com valuation médio entre R$3 milhões e R$6 milhões.
Nessa fase, a startup geralmente já tem um MVP (Minimum Viable Product) em operação e os primeiros usuários ou clientes testando o produto.
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A rodada Seed ocorre quando a startup busca confirmar que existe demanda real pelo seu produto — o chamado product-market fit — e começa a ganhar tração em vendas e marketing. Os recursos captados são destinados a aprimorar o produto, contratar as primeiras pessoas-chave da equipe e acelerar a aquisição de clientes.
No Brasil, segundo dados da Bossa Invest, rodadas Seed têm ticket médio entre R$3 milhões e R$10 milhões, com valuation médio entre R$10 milhões e R$30 milhões. Fundos de Venture Capital focados em estágios iniciais e investidores-anjo são os principais participantes dessas rodadas. Um exemplo é o QuintoAndar, que em seus estágios iniciais levantou rodadas Seed na casa de US$ 1 milhão, com participação de investidores como Social Capital e Graph Ventures.
De acordo com o Distrito Dataminer, entre 2011 e 2020 foram registradas 1.066 captações nos estágios Pré-Seed e Seed no Brasil. No entanto, apenas 281 dessas startups — cerca de 26% — conseguiram avançar para a Série A, o que evidencia a principal barreira do ecossistema brasileiro.
A partir da Série A, o produto já foi validado e o foco passa a ser escala. Cada série tem um objetivo distinto:
Segundo dados do Distrito, menos de 10% das startups brasileiras chegam à Série B. A partir da Série C, a taxa de avanço se estabiliza em torno de 50% — ou seja, metade das empresas que chegam a esse ponto conseguem avançar para a Série D e além. Apenas 1% das startups fundadas no Brasil chegam a captar uma Série F ou G.
O timing de uma rodada depende do estágio de maturidade da startup, não de uma data no calendário. Em linhas gerais, os sinais que costumam indicar que uma empresa pode estar em condições de buscar capital externo incluem:
Sinais frequentes de prontidão para uma rodada:
Por outro lado, buscar investimento cedo demais — antes de ter tração ou clareza sobre o modelo de negócio — pode resultar em diluição desnecessária de equity e dificuldades maiores para convencer investidores. O mercado certo costuma valorizar fundadores que entendem exatamente em que estágio estão e o que pretendem fazer com o capital captado.
Esta é uma das perguntas mais práticas para quem está começando. No Brasil, existem diferentes canais de acesso a investidores, organizados por tipo:
Aceleradoras e incubadoras
Substituir por: "Espaços e programas que oferecem mentoria, infraestrutura, networking e, em alguns casos, capital. Entre os hubs de conexão mais conhecidos no Brasil estão o Cubo Itaú e o Distrito, que conectam startups a grandes empresas e investidores. Já no modelo clássico de aceleração (que pode envolver troca de participação por capital), a ACE Ventures é um dos grandes nomes nacionais, enquanto a Y Combinator (EUA) é a maior referência global e já acelerou diversas startups brasileiras.
Redes de investidores-anjo
Organizações que reúnem e organizam anjos para co-investimento. As principais no Brasil são:
Equity Crowdfunding regulamentado pela CVM
Plataformas que permitem que startups captem recursos de múltiplos investidores individuais, em conformidade com a Resolução CVM 88/2022. Entre as plataformas registradas no Brasil estão a EqSeed e a Captable.
Fundos de Venture Capital nacionais
Gestores especializados em startups com sede no Brasil e que investem em diferentes estágios:
Programas públicos de fomento
O governo federal oferece iniciativas para startups em estágio inicial:
A partir da Série A, é comum que rodadas de investimento envolvam fundos estrangeiros — especialmente fundos americanos ou europeus com tese para América Latina. Quando isso acontece, o capital precisa entrar no Brasil por meio de operações cambiais reguladas pelo Banco Central, o que gera custos de conversão e exige o cumprimento de obrigações regulatórias específicas.
Nesse contexto, a escolha de como movimentar esse capital internacionalmente pode impactar diretamente o valor líquido recebido pela startup. Plataformas de pagamento e transferência internacional, como a Wise para Empresas, podem ser utilizadas para movimentar recursos entre países com tarifas transparentes e câmbio comercial, sem taxas escondidas — o que representa uma alternativa relevante para startups que operam com fluxos financeiros em múltiplas moedas.
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Qual a diferença entre rodada de investimento e empréstimo?
Em uma rodada de investimento, o investidor recebe uma participação na empresa (equity) em troca do capital aportado — ou seja, torna-se sócio. Em um empréstimo, o vínculo é financeiro: a empresa recebe o valor e devolve com juros, sem ceder participação societária.
Quanto equity uma startup cede em cada rodada?
Os percentuais variam conforme o estágio, o valuation negociado e o perfil do investidor. Segundo dados da Bossa Invest, rodadas Pré-Seed envolvem cessão média de ~8% do equity; rodadas Seed, ~12%; e rodadas Série A, ~20%. Esses números são referências de mercado e podem variar significativamente caso a caso.
É possível captar investimento sem ter um produto pronto?
Sim, especialmente nas fases mais iniciais (FFF e investimento-anjo). Nesses estágios, o que está sendo avaliado é principalmente a equipe, a tese de mercado e o potencial da ideia. À medida que a startup avança no funil, as exigências por produto funcionando, métricas e tração se tornam progressivamente maiores.
O que é valuation e como ele é definido?
O valuation é o valor estimado de uma startup em determinado momento. Ele pode ser calculado de diferentes formas — múltiplos de receita, fluxo de caixa descontado ou comparação com empresas similares — e é negociado entre fundadores e investidores durante o processo da rodada. O valuation pre-money é o valor da empresa antes do aporte; o post-money inclui o capital investido.
Investimento-anjo e Venture Capital são a mesma coisa?
Não. O investidor-anjo é, em geral, uma pessoa física que investe recursos próprios em startups iniciais, frequentemente acompanhado de mentoria. O Venture Capital (VC) é um fundo de investimento gerido por profissionais que captam recursos de terceiros (como fundos de pensão e family offices) para investir em startups com potencial de alto crescimento. Os VCs tendem a operar em rodadas maiores, a partir da Série A.
Entender o ciclo das rodadas de investimento é um passo fundamental para qualquer fundador que pretende acessar capital externo de forma estratégica. Da validação inicial com recursos próprios até rodadas multimilionárias com fundos internacionais, cada etapa tem suas particularidades — e reconhecer em qual delas a startup se encontra é o ponto de partida para uma captação bem-sucedida.
O ecossistema brasileiro de startups está em amadurecimento, com mais capital disponível, mais investidores ativos e mais canais de acesso do que havia há uma década. Compreender esse ambiente é parte essencial da jornada de construir uma empresa inovadora no Brasil.
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