Como comprar um carro na Bolívia e trazer para o Brasil? Tire suas dúvidas

Joao Marcos

A distância curta, os preços convidativos e a sensação de “vantagem” fazem muitos brasileiros olharem para o país vizinho com uma pergunta na cabeça: será que vale a pena comprar carro na Bolívia e trazer para o Brasil?

Este artigo é para quem considera essa possibilidade e quer entender o que a lei permite e o quanto pesa no bolso. A seguir, destrinchamos as regras de importação, os tipos de veículos autorizados e o caminho burocrático para legalizar um automóvel boliviano em território brasileiro.

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É permitido comprar um carro na Bolívia e trazer para o Brasil?

Sim, é possível comprar um carro na Bolívia e importá-lo para o Brasil, mas essa possibilidade vem acompanhada de condições específicas. A legislação brasileira só permite a entrada de dois tipos de veículos1:

  • Carros zero quilômetro, nunca licenciados anteriormente.
  • Carros usados com mais de 30 anos, classificados como veículos de coleção.

Há exceções pontuais, como veículos militares, doações, heranças de estrangeiros ou carros de turistas não residentes, mas são casos excepcionais e rigidamente controlados.

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Existe algum acordo automotivo para livre comércio entre Brasil e Bolívia?

Brasil e Bolívia mantêm uma relação comercial ativa, mas não existe um acordo automotivo específico que facilite a importação de carros por consumidores comuns.

Os acordos existentes concentram benefícios para a cadeia produtiva, especialmente montadoras e fabricantes de autopeças, e não flexibilizam regras para quem deseja importar um veículo completo para uso próprio.

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Como legalizar um carro da Bolívia no Brasil?

Legalizar um carro boliviano no Brasil é um processo dividido em várias etapas, todas obrigatórias. A seguir, o caminho completo:

  • Verificação de elegibilidade: antes de tudo, é preciso confirmar se o veículo se encaixa nas regras brasileiras. O carro deve ser zero quilômetro ou usado com mais de 30 anos e classificado como de coleção.
  • Autorização de Importação: o processo começa com um pedido oficial ao Departamento de Operações de Comércio Exterior. É necessário apresentar documentação que comprove a compra e as características técnicas do veículo.
  • Licença de Importação: emitida pelo Ibama, a LI verifica se o carro atende às normas ambientais brasileiras — especialmente limites de ruído e emissão de poluentes2.
  • Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito: o CAT é um documento em que o Denatran analisa se o modelo cumpre todas as regras de segurança exigidas para circulação no Brasil.
  • Declaração de Importação: registrada no Siscomex, a DI inclui informações detalhadas sobre o bem importado, sua origem e seu valor3.
  • Pagamento de impostos: os impostos podem variar conforme o tipo de veículo e o estado de destino. Normalmente é cobrado Imposto de Importação (II); IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados); PIS/Cofins-importação; e o ICMS estadual.
  • Desembaraço aduaneiro: o carro só é liberado pela alfândega após o pagamento de todos os tributos e apresentação da documentação completa4.
  • Registro e emplacamento no Detran: com o carro liberado, o proprietário segue para o Detran do estado onde vai circular. O processo inclui vistoria, emissão do CRLV e placas brasileiras.

Importar por conta própria é permitido, mas envolve uma sequência de autorizações técnicas e alfandegárias. Algumas pessoas optam por contratar empresas especializadas para evitar erros durante o processo.

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Qual a diferença de preço entre os carros na Bolívia e no Brasil?

Os sites de concessionárias na Bolívia raramente exibem preços de tabela, e isso não é acaso. Faz parte de uma cultura comercial em que o valor muda conforme negociação, disponibilidade e variação cambial.

Para quem pesquisa à distância, isso vira uma caça ao tesouro: você só descobre o número quando pergunta. Ainda assim, buscando referências no mercado local, é possível encontrar alguns valores praticados, o que revela outra particularidade: as tabelas de concessionárias estão em dólar americano.

A seguir uma tabela com preços no país, a conversão para real e o respectivo valor de um modelo semelhante no Brasil:

Modelo do CarroValor na BolíviaValor convertido para R$Valor no Brasil
Renault KwidUS$ 21.135R$ 114.252,64R$ 78.690,00
Renault KardianUS$ 33.610R$ 181.690,62R$ 113.690,00
Nissan KicksUS$ 45.900R$ 248.128,52R$ 166.990,00
Nissan FrontierUS$ 54.900R$ 296.781,17R$ 277.590,00

*Conversão realizada conforme câmbio comercial no dia 12 de dezembro de 2025

Vale a pena comprar um carro na Bolívia?

Com a frieza dos números, a resposta é direta: não, não vale a pena. A primeira constatação salta aos olhos, pois os carros na Bolívia não são mais baratos.

Em três dos quatro modelos, a diferença é superior a 40%. No caso do Kwid, o subcompacto custa cerca de R$ 35 mil a mais na Bolívia. O Kardian chega a quase R$ 70 mil de diferença.

Os preços praticados nas concessionárias bolivianas já são naturalmente mais altos do que no Brasil. Quando somados aos impostos de importação, o veículo tende a ficar substancialmente mais caro do que comprar o mesmo modelo zero quilômetro diretamente em território brasileiro.

Além disso, o processo de importação envolve burocracia, prazos longos, autorizações técnicas e custos extras com transporte e desembaraço aduaneiro.

Na prática, a compra só faria sentido para colecionadores que buscam modelos raros com mais de 30 anos, e não para quem deseja economizar adquirindo um carro comum.

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Fontes consultadas neste artigo:

  1. Estadão. Vale a pena importar carro?
  2. Governo Federal. Obter Licença de Importação
  3. Governo Federal. Declaração de Importação - DI
  4. Governo Federal. Desembaraço Aduaneiro

Fontes consultadas pela última vez em 12 de dezembro de 2025


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